27 de fevereiro de 2026

Pesquisadora rebate críticas sobre formato de cruz em proteína: “Ciência não é tudo”

Pesquisadora da UFRJ Discute Relação Entre Fé e Ciência em Pesquisa Sobre Lesão Medular

Tatiana Sampaio

A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), abordou a relação entre fé e ciência durante sua participação no programa Roda Viva, na segunda-feira (23). O tema surgiu em relação à sua pesquisa sobre a polilaminina, molécula que pode auxiliar na recuperação de movimentos em pacientes com lesões na medula.

Questionamento Sobre a Laminina e a Fé

O jornalista Jairo Marques, do jornal Folha de S. Paulo, questionou a pesquisadora sobre a associação da laminina, base da polilaminina, com a fé, devido ao seu formato de cruz. Ele perguntou se essa ligação com o conceito de “proteína divina” poderia ser um problema para a pesquisa.

Tatiana Sampaio rebateu o questionamento, afirmando que o formato de cruz da laminina é um fato inegável. Ela defendeu o direito das pessoas religiosas de se apropriarem dessa imagem como metáfora de suas crenças, sem que isso represente um problema para a pesquisa científica.

Separação Entre Ciência e Fé

A pesquisadora, que estuda a polilaminina há mais de 20 anos, ressaltou que consegue separar a ciência da fé em seu trabalho. Segundo ela, sua formação científica lhe permite trabalhar dentro dos limites da ciência, sem misturar as questões religiosas com o desenvolvimento da pesquisa.

Visão Pessoal Sobre a Ciência

Apesar de sua dedicação à ciência, Tatiana Sampaio ponderou que ser cientista é apenas uma parte de sua identidade. Ela acredita que a vida humana vai além dos limites da ciência e que existem outras atividades tão importantes quanto a pesquisa científica.

A Polilaminina e Seus Potenciais Benefícios

Em entrevistas anteriores, Tatiana Sampaio chegou a descrever a polilaminina como a “proteína de Deus”, em alusão ao seu formato. Essa molécula sintética, desenvolvida em laboratório a partir da laminina, demonstrou potencial para estimular a reconexão de fibras nervosas rompidas em casos de lesões medulares.

Estudos experimentais com pacientes que haviam sido diagnosticados com paralisia severa apresentaram resultados promissores, com alguns recuperando parte dos movimentos e um voltando a andar. Atualmente, a polilaminina está em fase de estudos clínicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Contexto

A discussão sobre a relação entre ciência e fé, levantada durante a entrevista com a pesquisadora, ganha relevância no contexto do desenvolvimento de tratamentos inovadores para lesões medulares. A pesquisa com a polilaminina representa uma esperança para pacientes com paralisia e a reflexão sobre a fé adiciona uma camada de interesse público ao tema.

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