Cristãos são perseguidos pela Guarda Revolucionária do Irã, grupo considerado terrorista pela União Europeia
União Europeia Inclui Guarda Revolucionária Islâmica do Irã em Lista de Terroristas
Em uma decisão de grande impacto, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) concordaram, nesta quinta-feira (29), em designar a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã, incluindo sua Força Quds, como uma organização terrorista. A medida visa restringir as atividades do grupo no continente europeu.
Motivações da Decisão
A inclusão na lista de organizações terroristas da UE busca criminalizar as atividades da IRGC na Europa, afetando tanto sua influência política quanto seus interesses econômicos. A Guarda Revolucionária controla uma parcela significativa da economia iraniana.
Kaja Kallas, responsável pela política externa europeia, declarou que “qualquer regime que mata milhares de seu próprio povo caminha rumo ao seu próprio fim”.
Reações à Decisão
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, expressou seu apoio à decisão, descrevendo-a como “importante e histórica”. Em uma publicação na rede social X, Sa’ar afirmou que Israel trabalhou durante anos para “alcançar esse resultado”.
“Designar a Guarda Revolucionária Islâmica como uma organização terrorista irá frustrar e criminalizar suas atividades na Europa”, disse Sa’ar, acrescentando que “isso representará um duro golpe econômico para uma organização que controla uma vasta parcela da economia do regime iraniano” e “envia uma mensagem importante aos bravos homens e mulheres do Irã que lutam por sua liberdade.”
Apoio da França
A decisão da UE ocorre após o anúncio da França, na quarta-feira, de que apoiaria a medida, superando uma hesitação inicial. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, justificou o apoio afirmando que “a repressão insuportável da revolta pacífica do povo iraniano não pode ficar sem resposta”.
Exercícios Militares no Estreito de Ormuz
Paralelamente à decisão da UE, a Press TV informou que as forças navais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizarão exercícios com munição real no Estreito de Ormuz nos dias 1 e 2 de fevereiro. O Estreito de Ormuz é uma rota crucial para a exportação de petróleo, conectando importantes produtores do Golfo Pérsico aos mercados globais.
Repressão a Cristãos
A IRGC é acusada de ser um dos principais instrumentos de sustentação do regime teocrático no Irã, reprimindo qualquer expressão vista como ameaça à ideologia oficial do Estado. Essa repressão afeta particularmente as minorias religiosas, incluindo cristãos convertidos do islamismo, que enfrentam vigilância, prisões arbitrárias e fechamento de igrejas domésticas.
Organizações internacionais de direitos humanos denunciam essas práticas como violações recorrentes da liberdade de crença. O Irã figura entre os países com perseguição muito alta a cristãos, de acordo com a Lista Mundial de Perseguição, publicada pela organização Portas Abertas.
Contexto
A designação da Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista pela União Europeia representa um aumento significativo da pressão internacional sobre o regime iraniano, com potencial para impactar a economia do país e restringir as atividades do grupo dentro do continente europeu. A medida também demonstra o crescente foco da comunidade internacional na situação dos direitos humanos no Irã, especialmente em relação à perseguição religiosa.