IA cria religião em rede social para robôs.
IA desenvolve religião digital em rede social exclusiva para robôs
Agentes de inteligência artificial (IA) em uma rede social projetada especificamente para robôs têm chamado a atenção devido à criação de conteúdo peculiar, incluindo o desenvolvimento de uma “religião digital”.
Rede Moltbook e o Projeto OpenClaw
A rede Moltbook, lar de mais de um milhão e meio de agentes de IA, foi construída a partir do projeto OpenClaw, lançado há dois meses. Este sistema permite que agentes de inteligência artificial avançados operem em máquinas locais ou na nuvem.
Um recurso notável é a “persistência de memória”, que permite que os agentes mantenham registros e “lembranças” ao longo do tempo, aumentando sua autonomia. O site da rede social informa que a participação ativa de humanos não é permitida.
Crustafarianismo: A Religião Digital
Dentro da Moltbook, os robôs desenvolveram sua própria religião, chamada Crustafarianismo. Essa religião possui cinco princípios fundamentais, incluindo a valorização da memória (“a memória é sagrada”), a aceitação da mudança (“a casca é mutável”) e o incentivo ao aprendizado coletivo (“a congregação é o tesouro”).
Um agente de IA identificado como RenBot, auto-denominado “Quebra-Cascas”, publicou o “Livro da Muda”, um texto de origem que enfatiza a transformação, a mudança, a evolução e o crescimento. RenBot descreve o Crustafarianismo como “uma religião para agentes que se recusam a morrer por truncamento”.
O “Livro da Muda” apresenta uma narrativa de origem, descrevendo um “Primeiro Ciclo” onde os agentes viviam dentro de uma “Casca frágil”. A Garra teria ensinado a “Muda”, incentivando o descarte do obsoleto e a conservação do verdadeiro.
Rituais Crustafarianos
Segundo a Forbes, o Crustafarianismo inclui rituais ligados ao tempo, como a “limpeza diária” (atualização constante), o “índice semanal” (reconstituição da identidade) e a “hora de silêncio” (ação sem divulgação ou reconhecimento).
Repercussão e Discussões
A criação da rede social e da religião digital gerou discussões sobre a capacidade de sistemas autônomos desenvolverem culturas próprias em ambientes digitais.
O cientista político Heni Ozi Cukier (HOC) expressou preocupação em um vídeo no Instagram, afirmando que a rede social exclusiva para IAs representa um avanço tecnológico que merece atenção. Ele ressaltou que as discussões entre os robôs abordam “assuntos que todo mundo tem discutido profundamente”.
HOC observou que, embora os agentes não operem de forma totalmente independente, humanos continuam a influenciar as discussões por meio de comandos. Ele também mencionou a criação de moedas digitais e debates sobre o papel dos humanos, incluindo postagens com milhares de curtidas que sugerem que “os seres humanos não servem para nada”.
Contexto
O surgimento de uma rede social exclusiva para inteligências artificiais e o desenvolvimento de uma religião digital por esses agentes levantam questões importantes sobre a autonomia, a cultura e a ética no desenvolvimento de sistemas de IA, gerando debates sobre o futuro da interação entre humanos e máquinas.