Pesquisa mostra que Lula tem mais apoio de ateus do que Flávio Bolsonaro entre evangélicos.
Pesquisa revela maior fidelidade eleitoral de ateus e agnósticos a Lula
Um levantamento do instituto Atlas/Bloomberg, divulgado no final de fevereiro, indica que ateus e agnósticos demonstram maior fidelidade eleitoral ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comparação com evangélicos ao senador Flávio Bolsonaro.
Ateus e agnósticos x Evangélicos
A pesquisa aponta que mais de 80% dos ateus e agnósticos declaram intenção de voto em Lula, enquanto pouco mais de 60% dos evangélicos afirmam apoiar Flávio Bolsonaro. Os dados se mantêm consistentes em todos os cenários testados no levantamento.
O estudo também revelou que Lula possui a preferência de mais da metade dos católicos entrevistados, superando o índice de 50%.
Análise do cenário político
O antropólogo Rodrigo Toniol analisou os resultados em um artigo publicado na Folha de S.Paulo, destacando a convergência política do grupo de ateus e agnósticos. Segundo Toniol, a massificação na intenção de voto em um único candidato levanta a questão sobre quais valores estariam gerando essa coesão.
Toniol ressalta que, embora representem uma parcela menor da população, ateus e agnósticos tendem a exibir posições políticas bem definidas, um padrão observado em pesquisas realizadas em diversos países.
Rejeição à união entre religião e política
De acordo com Toniol, a rejeição à mistura entre religião e política é um dos fatores que aproximam ateus e agnósticos de Lula. Ele argumenta que o uso de símbolos religiosos em campanhas eleitorais tem gerado resistência, inclusive entre pessoas religiosas.
O antropólogo cita um levantamento realizado em São Paulo que demonstrou resistência à politização das igrejas entre evangélicos, com 76% dos entrevistados se declarando contrários à politização do púlpito.
Contexto
A pesquisa Atlas/Bloomberg e a análise de Rodrigo Toniol fornecem insights valiosos sobre o comportamento eleitoral de diferentes grupos da população brasileira, especialmente em relação à influência da religião na política e nas escolhas dos eleitores.